

Em partida de três expulsões, donos da casa são valentes e batem sul-africanos por 2 x 0, no Estádio Azteca, na capital mexicana
Por Lucas Alarcão* - Correio Braziliense
O Estádio Azteca carrega o peso de décadas de história. As arquibancadas da arena testemunharam Pelé alcançar a eternidade com o tricampeonato brasileiro, em 1970, e viram Diego Maradona desafiar os limites entre genialidade e controvérsia ao protagonizar a célebre ‘Mão de Deus’, diante da Inglaterra, em 1986. Naquele mesmo Mundial, o argentino ergueria a taça sob o céu da Cidade do México. Poucos palcos no esporte reuniram tantos momentos capazes de atravessar gerações. O Azteca não é apenas um estádio, mas um arquivo vivo das maiores lendas produzidas pelo futebol. Nesse cenário, onde o passado parece ecoar a cada partida do presente, a Copa do Mundo de 2026 teve início nesta quinta-feira (11/6), com vitória do México sobre a África do Sul por 2 x 0.
Antes de a bola rolar, o estádio reviveu a aura da memória de Pelé e Maradona, dois gênios que ajudaram a transformar aquele gramado em território sagrado. O que vai ao encontro de uma das tradições mais profundas da cultura mexicana, que enxerga a morte não como uma despedida marcada pela tristeza, mas como uma conexão com as lembranças e uma celebração da vida daqueles que partiram. Com esse enredo, torcedores e jogadores chegavam à arena.
A maior Copa do Mundo da história, agora com 48 seleções e dividida entre México, Estados Unidos e Canadá, escolheu iniciar a jornada onde o futebol foi mito, arte e eternidade. Como se antes de criar novas lendas, precisasse reverenciar o palco que ajudou a consagrar as antigas. Em meio às tensões políticas nos Estados Unidos, à violência que assombra o México — evidenciada pelos confrontos entre manifestantes e policiais nos arredores do Azteca durante a partida — e às incertezas de um mundo em constante ebulição, a Copa, enfim, começou. E, até 19 de julho, o futebol terá a rara capacidade de fazer bilhões de olhos mirarem a mesma direção.
Às 16h05, com certo atraso, a espera terminou. Os 83.264 olhares do Azteca repousavam sobre o centro do gramado. Com o apito inicial, Wilton Pereira Sampaio entrou para a história como o primeiro árbitro brasileiro a comandar a abertura de uma Copa do Mundo. Em festa, a torcida mexicana lançou sombreiros ao campo e embalou a equipe ao som de “olé”. Aos três minutos, Raúl Jiménez quase marcou o primeiro gol do Mundial, mas o goleiro William evitou o lance e protagonizou a primeira defesa da Copa de 2026.
O México não pretendia conceder respiro aos sul-africanos. Aos nove minutos, a festa no Azteca ganhou voz própria. Julián Quiñones entrou para a história ao marcar o primeiro gol da Copa do Mundo de 2026. Com um chute rasteiro e preciso, o camisa 16 venceu o goleiro William e colocou os donos da casa em vantagem.

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