

Filme encerra a história no auge da carreira do artista
Izabella Nicolau - Observatório do Cinema
O filme Michael chegou aos cinemas em 23 de abril, apresentando a trajetória de Michael Jackson sob a direção de Antoine Fuqua e com Jaafar Jackson no papel principal. A produção acompanha a ascensão do artista até o auge de sua popularidade mundial.
Inserido na tradição das cinebiografias musicais, o longa se concentra em um recorte específico da carreira do cantor, evitando uma abordagem que percorra toda a sua vida. Essa escolha posiciona o filme mais como um retrato de fase do que como uma narrativa completa.
A partir disso, o desfecho da história passa a ser um ponto-chave para entender o recorte adotado e as decisões criativas que moldam o resultado final.

O terceiro ato de Michael se passa entre 1984 e 1988, período em que o artista já havia se consolidado como um fenômeno global após o sucesso de Thriller. Nesse momento, a narrativa acompanha tanto a pressão familiar quanto os compromissos profissionais que surgem com essa nova dimensão da carreira.
Joe Jackson, interpretado por Colman Domingo, surge como figura ativa nas negociações envolvendo uma turnê de reunião do Jackson 5, articulada junto ao empresário Don King e patrocinada pela Pepsi. A condição imposta inclui a participação de Michael como principal nome do projeto, o que ele aceita de forma relutante.
Durante esse processo, o filme incorpora um episódio marcante: o acidente em um comercial da Pepsi, quando efeitos pirotécnicos causam queimaduras graves no cantor. A situação é resolvida com um acordo financeiro, posteriormente doado ao hospital responsável pelo tratamento, o que também entra como parte do desenvolvimento da narrativa.

Após se recuperar, Michael retorna aos palcos e cumpre os compromissos com a família, culminando em uma última apresentação com o grupo antes de anunciar o fim definitivo da formação. O momento também marca o rompimento com o pai como empresário, encerrando um ciclo que acompanha o personagem desde a infância.
O filme então avança para a turnê Bad, encerrando a história em um show no estádio de Wembley, em 1988, diante de milhares de pessoas. A cena final é interrompida de forma abrupta e seguida pela mensagem “His Story Continues”, indicando que a trajetória não se encerra ali.
Essa escolha não estava prevista na concepção inicial do longa. A produção chegou a considerar incluir acontecimentos posteriores, como as acusações de abuso sexual dos anos 1990, mas restrições legais ligadas a acordos judiciais impediram a dramatização desses eventos, o que levou a refilmagens e à redefinição do final.
O resultado é um encerramento que funciona como ponto de pausa, focado no auge da carreira, enquanto evita abordar fases posteriores mais controversas. Ao mesmo tempo, a estrutura reforça a ideia de que a história apresentada cobre apenas uma parte da vida do artista.
Essa abordagem também se reflete em outros aspectos do filme, como a forma resumida com que temas familiares e conflitos pessoais são tratados, mantendo o foco na construção da imagem pública e no impacto cultural da carreira.
Michael está em exibição nos cinemas.

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