

Vinicius Junior, Marquinhos, Neymar, Alisson, Casemiro, Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli venceram seis dos 10 confrontos eliminatórios ou finais de jogo único contra times de Haaland e mostram que derrotá-lo passa por desmontar a engrenagem
Marcos Paulo Lima e Victor Parrini — Enviados especiais - Correio Braziliense
Nova Jersey — Erling Haaland é grande e assusta com 1,95m de altura, mas não é dois. Muito menos joga sozinho. O Brasil precisará de um plano coletivo para sobreviver ao principal artilheiro da Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo. Carlo Ancelotti tem um bom ponto de partida: sete jogadores do elenco eliminaram equipes de Haaland em confrontos de mata-mata por clubes. Cada um deles conhece um caminho diferente para chegar ao mesmo destino: tirar o camisa 9 da disputa, como se espera hoje, às 17h, no MetLife Stadium.
A experiência é compartilhada por alguns dos principais pilares da Seleção. Seis são titulares. Em condições normais de temperatura e pressão, esse grupo teria um sétimo integrante: Neymar. Há quem tenha eliminado Haaland ainda nos tempos de Borussia Dortmund. Outros cruzaram o caminho do norueguês com o Manchester City de Pep Guardiola. Em comum, todos aprenderam a mesma lição: marcar Haaland é apenas parte da missão. O segredo está em desmontar a engrenagem construída para fazê-lo decidir.
Os capítulos dessa história ajudam a explicar parte do otimismo brasileiro. Desde 2020, jogadores convocados por Carlo Ancelotti venceram seis dos 10 confrontos eliminatórios e finais de jogo único contra equipes de Haaland. Vinicius Junior repetiu o feito duas vezes. Marquinhos, Neymar, Alisson, Casemiro, Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli completam a lista de brasileiros que deixaram o artilheiro norueguês pelo caminho.
O principal carrasco de Haaland na atual Seleção é Vinicius Junior. O atacante eliminou o Manchester City do norueguês nas quartas de final da Champions League de 2024 e repetiu o roteiro dois anos depois, nas semifinais da edição de 2026. É o único brasileiro do elenco a deixar equipes do camisa 9 pelo caminho em duas oportunidades.
O retrospecto ganha ainda mais peso porque Vinicius chega ao confronto vivendo a melhor Copa da carreira. São quatro gols em três partidas e o protagonismo ofensivo que o Brasil espera repetir diante da Noruega.
Antes de Vinicius Junior transformar o Manchester City em vítima recorrente, Marquinhos e Neymar abriram o caminho. Em 2020, o Paris Saint-Germain eliminou o Borussia Dortmund de Haaland nas oitavas de final da Champions League. Depois de marcar duas vezes na vitória alemã por 2 x 1 no jogo de ida, o norueguês comemorou em posição de meditação e ainda provocou o PSG nas redes sociais antes da volta em Paris. A resposta veio no Parque dos Príncipes. Neymar abriu o placar, repetiu a tradicional comemoração do atacante e liderou a vitória por 2 x 0, que colocou os franceses nas quartas de final, com Marquinhos como titular da defesa.
Após o apito final, Neymar voltou a se sentar no gramado para repetir a pose de meditação. Desta vez, acompanhado por Marquinhos e praticamente todo o elenco do PSG. A provocação virou uma das imagens mais marcantes daquela edição da Champions League e inaugurou a coleção de eliminações brasileiras contra equipes de Haaland.
Os capítulos seguintes mudaram de país, mas não de roteiro. Em 2022, Alisson levantou a Supercopa da Inglaterra pelo Liverpool diante do Manchester City. Um ano depois, Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli conquistaram o mesmo troféu pelo Arsenal. Casemiro também entrou para a lista ao liderar o Manchester United na conquista da Copa da Inglaterra de 2024 contra o rival da cidade.
O retrospecto, porém, está longe de ser absoluto. Haaland também levou a melhor em quatro confrontos decisivos no período. Eliminou o Real Madrid de Vinicius Junior na semifinal da Champions League de 2023, conquistou a Copa da Inglaterra do mesmo ano diante do Manchester United de Casemiro e, em 2026, levantou a Copa da Liga contra o Arsenal de Gabriel Magalhães e Martinelli antes de despachar o Liverpool de Alisson com hat-trick na goleada por 4 x 0 nas quartas de final da FA Cup.
Se o ataque impressiona, a defesa oferece caminhos ao Brasil. A Noruega sofreu gols em todas as partidas da Copa e chega às oitavas de final com oito sofridos, a pior marca entre os 16 sobreviventes do torneio. A maior preocupação é com a lateral-direita, depois da lesão do titular Julian Ryerson. É justamente por ali que joga Vinicius Junior, autor de quatro gols em três partidas.
O desafio, porém, começa antes. Neutralizar Haaland passa por reduzir a influência de Martin Odegaard. Capitão da Noruega, o meia é o principal articulador da equipe e o responsável por abastecer o camisa 9. É um velho conhecido da base da Seleção Brasileira. Foi lançado no Real Madrid justamente por Carlo Ancelotti, divide o vestiário do Arsenal com Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli, enfrenta Alisson e Bruno Guimarães com frequência na Premier League e chegou a atuar cinco vezes ao lado de Casemiro na equipe espanhola. Marquinhos também o encontrou na final da Champions League há pouco mais de um mês, em Budapeste, pelo Paris Saint-Germain.
Há outros pontos de atenção. Antonio Nusa é a principal válvula de escape pelos lados do campo e oferece profundidade em velocidade. Não à toa, é apelidado de “Neymar norueguês”. Alexander Sorloth divide com Haaland a ocupação da área e aumenta o poder de jogo aéreo. Mais recuado, Sander Berge dá sustentação ao meio-campo e ajuda a Noruega a manter o time compacto até acelerar as transições.
Todo o modelo de jogo converge para um objetivo: criar o maior número possível de situações para que Haaland finalize. A Noruega não se envergonha de recorrer ao chutão e às ligações diretas desde o goleiro. Não há floreio com a bola. É um time objetivo, construído para abastecer o principal goleador da equipe.
Ao longo dos últimos seis anos, Vinicius Junior, Marquinhos, Neymar, Alisson, Casemiro, Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli descobriram a mesma receita em clubes diferentes. Nenhum deles precisou anular Haaland sozinho. Bastou desmontar a engrenagem que faz o camisa 9 decidir. É essa fórmula que Carlo Ancelotti tentará repetir no domingo para manter o Brasil vivo na Copa do Mundo.

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