

A produção explora o impacto cultural do grupo porto-riquenho no Brasil durante as décadas de 1970 e 1980
Por Correio Braziliense
Em 1984, um milhão de brasileiros saíram às ruas clamando pelo fim do regime militar. No ano seguinte, dois milhões de brasileiras lotaram campos de futebol para dançar ao som de Não se reprima diante de cinco adolescentes porto-riquenhos. Essa é uma das histórias que a série documental inédita Não se reprima vai contar ao apresentar um olhar profundo sobre a euforia da “Menudomania” nos anos 1980, não apenas no Brasil recém-liberto da ditadura, mas em todo o mundo. Dividida em quatro episódios de 25 minutos, a série que revisita um dos maiores fenômenos da cultura pop latino-americana chega ao Canal Brasil e ao DOC Canal Brasil na Prime Video amanhã (24/7).
Com depoimentos de ex-integrantes da banda, como Ricky Meléndez, Johnny Lozada e Raymond Acevedo, além de artistas brasileiros como Preta Gil, João Gordo e Clemente Tadeu, a série reúne também historiadores, jornalistas, psicólogos e fãs para reconstruir um momento em que juventude, consumo, televisão e liberdade passaram a caminhar juntos.
A série resgata imagens raras da época, apresentações históricas, entrevistas e registros que ajudam a compreender por que a “Menudomania” extrapolou a música e se transformou em um fenômeno social.
O primeiro episódio (Infância) volta às origens do Menudo e apresenta a visão empresarial de Edgardo Díaz, responsável por criar um grupo cujos integrantes seriam substituídos ao atingir determinada idade. A partir dessa ideia inédita para a época, a série acompanha a expansão do fenômeno pela América Latina até chegar ao Brasil, encontrando um país em plena redemocratização, ansioso por novos ídolos e formas de expressão. O episódio revela como o contexto político e social brasileiro ajudou a potencializar a identificação de uma geração com a banda.
A segunda parte (Adolescência) aprofunda a relação entre o sucesso do Menudo e as mudanças vividas pela sociedade brasileira nos anos 1980. Em meio ao fortalecimento da cultura de consumo e ao protagonismo crescente do público adolescente, a série discute como a banda ajudou a redefinir o mercado do entretenimento juvenil, influenciando hábitos, produtos, estratégias de marketing e abrindo caminho para inúmeras outras boy bands que surgiriam nas décadas seguintes.
No terceiro episódio (Vida Adulta), a narrativa chega ao momento mais aguardado: a histórica turnê brasileira de 1985. A série acompanha os bastidores da operação que trouxe o grupo ao país para uma sequência de 18 apresentações e mostra como a recepção do público superou todas as expectativas. Entre lembranças emocionantes e relatos inéditos, personagens que viveram aquele período ajudam a reconstruir a dimensão do impacto provocado pela passagem do Menudo pelo Brasil e revelam como aquela experiência marcou suas vidas.
O episódio final (Velhice) mostra que a “Menudomania” também teve consequências dramáticas, como a falta de estrutura para grandes eventos transformou parte da euforia em momentos de caos e evidencia os desafios enfrentados durante a turnê brasileira. Ao mesmo tempo, investiga por que, quatro décadas depois, o legado do grupo continua vivo na memória afetiva de milhares de fãs, que ainda acompanham seus antigos ídolos ao redor do mundo e mantêm viva a história de um dos maiores fenômenos da música pop latino-americana.

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