

Com estreia confirmada no MetLife Stadium, palco da grande decisão de 2026, a Seleção Brasileira tenta superar o retrospecto negativo de quatro Copas passadas, e espantar o fantasma do tabu
Por Giovanna Rodrigues - Correio Braziliense
Para a Seleção Brasileira, estrear na Copa do Mundo no mesmo estádio onde acontecerá a decisão do título não é nada animador. Isso porque, historicamente, a Canarinho iniciou a caminhada no mesmo estádio da grande final em quatro ocasiões, 1950, 1998, 2006 e 2022 e, em todas elas, o desfecho foi marcado por decepções, desde o traumático “Maracanazo” até eliminações precoces que adiaram o sonho do título.
Com a estreia em 2026 confirmada para o MetLife Stadium, justamente o palco da final desta edição, o Brasil entra em campo contra o Marrocos no sábado (13/6) com a missão de não apenas vencer o adversário, mas de superar esse tabu histórico.
O Rio de Janeiro se encontrava em festa no dia 24 de junho de 1950, dia que marcava a estreia do Brasil na Copa do Mundo e a inauguração do estádio do Maracanã em jogos oficiais. A abertura terminou em celebração, com a goleada de 4×0 sobre o México.
Semanas depois, na final do campeonato, o clima de otimismo era forte. No mesmo Maracanã, ocupado por 200 mil pessoas, a missão da Seleção era derrotar o Uruguai e ser campeã do mundo pela primeira vez.
Com o Brasil abrindo o placar, tudo corria como planejado, até que dois gols do Uruguai viraram o jogo e silenciaram as arquibancadas. O trauma foi imortalizado como “Maracanazo”.
Quase meio século depois, em 1998, o Brasil chegava à Copa do Mundo na França como atual campeão e favorito a conquistar o penta. No dia 10 de julho, a Seleção Brasileira estreou com vitória sobre a Escócia, por 2×1, no Stade de France, liderada por nomes como Cafu, Roberto Carlos, Rivaldo, Bebeto e Ronaldo Fenômeno.
Naquela edição, o Brasil voltaria a chegar à final, para enfrentar a anfitriã, no mesmo Stade de France. Ronaldo, eleito o melhor jogador do mundo no ano anterior, era a principal esperança de gols dos brasileiros. Mas quem deu um show naquele 12 de julho foi o meia Zinedine Zidane. O craque francês marcou dois gols e entregou uma das melhores performances da sua carreira. A derrota por 3×0 decretou o segundo vice-campeonato mundial do Brasil, e adiou o tão sonhado penta.
Em moldes semelhantes aos de 1998, a Seleção Brasileira chegou à Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, como a atual campeã mundial e favorita ao título. A equipe contava com o famoso “Quadrado Mágico”: Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo. Grandes estrelas do futebol mundial.
A estreia, no dia 13 de junho, no Estádio Olímpico de Berlim, foi apertada. Com um único gol de Kaká, que seria Bola de Ouro da Fifa no ano seguinte, a Seleção venceu a Croácia por 1×0. Mas nessa edição, a tragédia aconteceu ainda antes da final. Logo nas quartas, a França voltou a interromper os sonhos da Seleção.
Pressionado pelo futebol ‘sem graça’, mesmo com a sequência de vitórias, o técnico Parreira deixou Adriano no banco e desmontou o quadrado. Em noite pouco inspirada, a Seleção viu os franceses, com gol de Henry, consagrarem a vitória e a eliminação brasileira, em uma noite nada “mágica”.
A final daquele ano foi disputada entre Itália e França, no Estádio Olímpico de Berlim, onde a seleção italiana conquistou seu tetracampeonato mundial.
O calor do Catar fazia os brasileiros se sentirem em casa na Copa do Mundo de 2022. Na persistente busca pelo Hexa, a Seleção venceu a Sérvia por 2×0 na estreia, no dia 24 de novembro, com dois gols memoráveis de Richarlison, no Estádio de Lusail.
Como camisa 10, Neymar tinha naquele Mundial sua grande chance de conquistar o título, após as frustrações de 2014 e 2018. Porém, a história se repetiu e o drama da eliminação veio cedo, novamente nas quartas, agora contra a Croácia. A Canarinho teve a vaga nas mãos, faltando quatro minutos para o fim da prorrogação.
O próprio Neymar já havia aberto o placar no fim da primeira etapa do tempo extra. Até que, aos 117 minutos de jogo, o croata Petkovic empatou e levou a disputa aos pênaltis. Marquinhos e Rodrygo desperdiçaram suas cobranças, o sonho do Hexa ficou para depois e o tabu do estádio da final voltou a assombrar a Seleção.
Nesta Copa do Mundo, o Brasil estreia contra Marrocos, neste sábado (13/6), às 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, palco da decisão do torneio. E dessa vez, o brasileiro terá de torcer em dobro para Seleção não apenas ganhar os jogos, mas também quebrar o tabu.

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