Biomarcadores ajudam a prever eficácia de imunoterapia contra câncer de pulmão
Pesquisa brasileira usa exame de sangue para prever quem responde ao tratamento; método pode ampliar o acesso à terapia no SUS e reduzir custos

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Via Correio Braziliense
A imunoterapia é um dos principais avanços contra o câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP), mas sua eficácia varia entre os pacientes. Uma pesquisa brasileira, publicada na revista "iScience", descreve uma estratégia que utiliza exames de sangue para prever quem tem mais chance de responder ao tratamento.
A imunoterapia é um dos principais avanços contra o câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP), mas sua eficácia varia entre os pacientes. Uma pesquisa brasileira, publicada na revista "iScience", descreve uma estratégia que utiliza exames de sangue para prever quem tem mais chance de responder ao tratamento.
Pesquisadores apoiados pela FAPESP analisaram amostras de sangue de pacientes com tumores metastáticos para mapear suas células de defesa. Alguns tumores conseguem silenciar o sistema imune ao ativar duas proteínas nos linfócitos T, um tipo de célula de defesa.
A imunoterapia usa anticorpos para bloquear essas proteínas, reativando a defesa do organismo contra os tumores. Segundo Kenneth Gollob, líder da pesquisa, o tratamento funciona como se "tirasse os freios" da resposta imune para permitir o ataque ao câncer.
Como o método funciona
O tratamento tem eficácia de aproximadamente 45% contra o CPCNP. Para entender essa variação, a equipe de Gollob analisou linfócitos T de 33 pacientes. Desses, 22 responderam bem à combinação de imunoterapia e quimioterapia, enquanto 11 não apresentaram resposta.
Após avaliar dezenas de proteínas, os cientistas chegaram a uma assinatura imunológica, um conjunto de marcadores que identifica os pacientes com maior probabilidade de se beneficiarem do tratamento. A técnica utilizada, a citometria de fluxo, já é comum em laboratórios para diagnosticar leucemia.
A identificação prévia dos pacientes com mais chance de sucesso pode reduzir os custos para o sistema de saúde. Gollob explica que, se um biomarcador indica 98% de chance de resposta, a terapia pode ser direcionada, diminuindo significativamente o custo, já que o medicamento não é amplamente disponível no SUS.
Limitações da abordagem
Apesar do potencial, a imunoterapia pode causar reações adversas, como diarreia e manchas na pele. Em cerca de 15% dos casos, podem ocorrer reações mais severas, incluindo a inflamação de tecidos saudáveis, especialmente no pulmão.
Outro desafio é a possibilidade de o tumor desenvolver resistência ao tratamento. A resposta imune inicial elimina as células suscetíveis, mas as resistentes podem continuar a crescer, fazendo com que o tratamento perca o efeito após alguns meses.
Uma das soluções propostas pelo pesquisador é combinar diferentes tipos de imunoterapia ou associá-la à quimioterapia ou radioterapia.










