Governo alerta para período crítico do El Niño e aposta em prevenção
Executivo reforça ações de prevenção diante da previsão de escassez hídrica e aumento de incêndios no Centro-Oeste

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
A chegada do El Niño alerta para a possibilidade de eventos climáticos extremos, escassez hídrica e incêndios florestais. Durante uma reunião da Sala de Situação do El Niño, com os ministros José Guimarães (Relações Institucionais) e Miriam Belchior (Casa Civil) e representantes de estados e municípios da Região Centro-Oeste, nesta sexta-feira (28/8), o governo federal anunciou medidas de prevenção e mitigação para os próximos meses.
De acordo com o Executivo, a expectativa é de que a temperatura das águas do Oceano Pacífico aumente 2,7 °C acima da média, com o pico entre setembro e novembro. A projeção indica que o ciclo 2026-2027 do El Niño deverá superar em 0,5 °C o registrado no último biênio, 2023-2024, quando a temperatura média chegou a 2,2 °C.
Os impactos, no entanto, devem variar de acordo com o bioma de cada região. O Centro-Oeste abrange os principais biomas considerados de risco para incêndios: Cerrado, Pantanal e Amazônia. O Executivo prevê que essas áreas sofram com possível escassez hídrica, especialmente no norte de Mato Grosso e no norte de Goiás.
A escassez eleva a demanda por irrigação e compromete as áreas de pastagem, aumentando o risco de incêndios florestais. Segundo as informações apresentadas, o período mais crítico deve ocorrer entre setembro e outubro.
Preparação
Segundo o ministro das Relações Institucionais, José Nobre Guimarães, o Executivo se prepara para enfrentar as mudanças climáticas desde 2023, com a criação da Sala de Situação, que conta com a participação de 24 ministérios.
Além disso, no final de julho, o governo Lula anunciou um aporte adicional de R$ 1,3 bilhão, distribuído entre as prioridades táticas do governo. O valor mais significativo, de R$ 850 milhões, será destinado à formação de estoques de 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho.
Do total, R$ 337 milhões serão destinados ao combate direto a incêndios florestais e queimadas. Outros R$ 65 milhões serão utilizados para o envio antecipado de 350 mil cestas de alimentos a regiões vulneráveis. Além disso, R$ 45 milhões serão destinados à implementação de Centros de Informação em Saúde e R$ 13 milhões ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Por fim, R$ 25 milhões serão destinados ao monitoramento contínuo de bacias hidrográficas.
O governo também informou que destinou, por meio do Fundo Amazônia, mais de R$ 527 milhões a estados da Amazônia e do Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, para fortalecer a capacidade de combate aos incêndios.
Os recursos foram utilizados, entre outras ações, na aquisição de mais de 500 veículos, equipamentos de proteção individual e materiais para combate ao fogo. A estrutura deve reforçar a atuação dos corpos de bombeiros em municípios e regiões consideradas mais vulneráveis.
*Estagiária sob a supervisão de Rafaela Gonçalves
Por Maria Beatriz Giusti - Via Correio Braziliense










