Guia do eleitor: tudo o que você precisa saber sobre as eleições de 2026
O primeiro turno das eleições acontece no dia 4 de outubro; e o segundo - se houver - está marcado para 25 de outubro. Até o momento, só houve um debate entre os presidenciáveis e nem todos compareceram.

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Via Correio Braziliense
Na reta final da eleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) seguem na disputa acirrada pelo primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. No primeiro turno, Lula tem 39% e Flávio, 35%, segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. Em um eventual segundo turno entre os dois, Flávio aparece com 45% e Lula, com 44%, segundo o agregador da BBC.
Lula tem o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) novamente como companheiro de chapa. Já Flávio escolheu o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para a vice-presidência.
No dia 4 de outubro, os eleitores irão às urnas para escolher representantes para cinco cargos, entre eles o de presidente da República.
Treze chapas disputam o Palácio do Planalto. A lista mudou desde as convenções partidárias: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrou a candidatura de Pablo Marçal (PRTB), e o partido o substituiu por Leonardo Avalanche.
Quando será a eleição de 2026?
O primeiro turno das eleições de 2026 será realizado em 4 de outubro. Se houver segundo turno, a votação será realizada em 25 de outubro.
O segundo turno pode ocorrer para presidente e governador quando nenhum dos candidatos alcançar mais da metade dos votos válidos no primeiro turno. Nesse caso, os dois candidatos mais votados disputam o segundo turno.
Quais cargos estarão em disputa nas eleições de 2026?
Os eleitores vão votar para cinco cargos nestas eleições:
- Deputado estadual ou distrital;
- Deputado federal;
- Senador;
- Governador;
- Presidente da República.
Em 2026, estarão em disputa dois terços das cadeiras do Senado, então cada eleitor terá dois votos para senador.
Quem são os candidatos à Presidência?
As 13 chapas oficializadas durante as convenções partidárias são:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — vice: Geraldo Alckmin (PSB);
- Flávio Bolsonaro (PL) — vice: Alfredo Gaspar (PL);
- Ronaldo Caiado (PSD) — vice: Gilberto Kassab (PSD);
- Romeu Zema (Novo) — vice: Eduardo Girão (Novo);
- Renan Santos (Missão) — vice: Aroldo Medina (Missão);
- Augusto Cury (Avante) — vice: Júlio Delgado (Avante);
- Hertz Dias (PSTU) — vice: Vanessa Portugal (PSTU);
- Samara Martins (UP) — vice: Raquel Bricio (UP);
- Clariana Barão (DC) — vice: Fabiana Torquato (DC);
- Rui Costa Pimenta (PCO) — vice: Antônio Carlos Silva (PCO);
- Edmilson Costa (PCB) — vice: Cleusa Santos (PCB);
- Leonardo Avalanche (PRTB) — vice: Silvia Helena da Silva Pereira (PRTB);
- Wilson Grassi (Democrata) — vice: Suêd Haidar (Democrata).
Veja as propostas de cada candidato em oito áreas no especial interativo da BBC News Brasil e leia mais sobre o perfil dos candidatos.
Quando serão os próximos debates presidenciais?
Com sucessivos cancelamentos devido à ausência de Lula e Flávio, resta apenas um debate, marcado para a quinta-feira, 1º de outubro, depois do Jornal Nacional na rede Globo.
A campanha de Lula avalia comparecer ao debate da Globo. Flávio afirma que só participa de debates em que Lula estiver presente.
Estavam previstos quatro debates no primeiro turno. O primeiro, em 23 de agosto, foi organizado pela Band em pool com TV Cultura, TV Gazeta, Estadão e Jovem Pan.
Só participaram Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado. Lula e Flávio não compareceram, e Romeu Zema (Novo) desistiu diante da ausência dos dois. O debate de 14 de setembro, de um consórcio de veículos que incluía SBT, RedeTV! e CNN Brasil, foi cancelado depois que Lula e Flávio não confirmaram presença.
Depois, o embate organizado pela Record seria no dia 27, mas também foi cancelado.
A participação dos candidatos depende das regras eleitorais e dos acordos firmados entre partidos e emissoras.
Veja o calendário e as regras dos principais debates.
Quem está à frente nas pesquisas?
Lula lidera as estimativas de intenção de voto no primeiro turno, com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%, de acordo com o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, com dados até 20 de setembro. Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) têm 4% cada, e Ronaldo Caiado (PSD), 3%. Outros 12% dizem que vão votar em branco, anular, não sabem ou não pretendem votar.
No segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente: 45% contra 44% de Lula.
Lula ultrapassou Flávio no segundo turno em maio, após a revelação da ligação entre o filho de Jair Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Em setembro, Flávio voltou a aparecer à frente nas simulações de segundo turno do agregador.
As pesquisas não têm o objetivo de prever resultados. Elas buscam capturar o que o eleitor está pensando no instante em que ele é entrevistado.
Entre o momento da pesquisa e a hora do voto, muita coisa pode acontecer. Entenda por que as pesquisas eleitorais podem "errar", como elas são feitas e o que seus resultados realmente significam.
Quem tem mais tempo de TV?
No caso da disputa presidencial de 2026, Lula tem o maior tempo, seguido por Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. Apenas esses quatro candidatos têm direito à propaganda gratuita em rádio e televisão, que vai até 1º de outubro.
Outras candidaturas que têm pontuado nas pesquisas eleitorais, como Romeu Zema (Novo), ficaram de fora porque suas siglas não alcançaram a cláusula de desempenho — uma quantidade mínima de deputados federais eleitos e de votos para a Câmara em diferentes regiões do Brasil no pleito de 2022.
O tempo é calculado principalmente de acordo com a representação dos partidos e federações na Câmara dos Deputados, seguindo os critérios da legislação eleitoral e os dados de representatividade divulgados pelo TSE.
Qual horário da votação?
As eleições serão realizadas em todo o país, das 8h às 17h (horário de Brasília), desde que não haja eleitores na fila da seção eleitoral.
Caso ainda existam pessoas aguardando às 17h, serão distribuídas senhas (começando pelo último da fila) para garantir que todos os presentes possam votar.
O que levar no dia da votação?
Para votar, é preciso apresentar um documento oficial com foto (identidade, passaporte, carteira de trabalho, e-Título com foto etc.).
O e-Título, no entanto, não é obrigatório: basta um documento oficial com foto. O celular é proibido na cabine de votação e deve ser deixado em local indicado pelos mesários.
Se o título estiver regular, é possível votar mesmo sem ter biometria coletada.
O TSE também recomenda que o eleitor leve uma colinha eleitoral para não perder tempo na hora de votar e nem se esquecer do número dos candidatos.
Quais recursos de acessibilidade existem na votação?
Segundo o TSE, 1.970.165 eleitores com deficiência estão aptos a votar em 2026, 42% a mais que em 2022.
Para quem tem deficiência visual, a urna tem sistema de áudio, com fone de ouvido descartável fornecido pela Justiça Eleitoral, e identificação tátil da tecla 5. Também são permitidos recursos de acessibilidade e tecnologias assistivas que viabilizem o voto.
Posso usar camisas de candidatos?
No dia da eleição, é permitido usar broches, adesivos, bandeiras e camisetas de candidatos, de forma individual e silenciosa. Boca de urna e aglomerações com roupas padronizadas são proibidas!
Onde verificar informações sobre os candidatos?
A fonte oficial é o DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O sistema reúne informações pessoais dos candidatos que solicitaram registro à Justiça Eleitoral, declaração de bens, doações, contas eleitorais, incluindo receitas e despesas da campanha.
Um candidato pode ser substituído durante a campanha?
Sim. A candidatura pode ser substituída em casos como renúncia, indeferimento, cancelamento ou cassação do registro. Em regra, o pedido de substituição deve ser apresentado à Justiça Eleitoral até 20 dias antes da eleição. Para o primeiro turno de 2026, esse prazo terminou em 14 de setembro.
A principal exceção é o falecimento do candidato: nesse caso, a substituição pode ocorrer mesmo dentro dos 20 dias anteriores à votação, desde que o pedido seja feito em até dez dias contados do óbito.
Foi o que aconteceu com o PRTB. Em 11 de setembro, o TSE rejeitou por unanimidade o registro de Pablo Marçal. A Corte concluiu que ele não comprovou filiação ao partido dentro do prazo legal e registrou que ele está inelegível até 2032. Marçal renunciou em 14 de setembro, último dia do prazo, e o presidente nacional do partido, Leonardo Avalanche, que era seu vice, assumiu a cabeça da chapa.
Os candidatos podem usar IA?
Para este ano, o TSE aprovou alterações na resolução que trata da propaganda eleitoral para regulamentar, entre outros pontos, o uso de inteligência artificial (IA) pelos partidos e candidatos.
Uma das principais regras é a imposição ao responsável pela propaganda de informar a utilização de IA no conteúdo. A informação deve constar de modo explícito, destacado e acessível. Isso vale para textos, áudios, vídeos e imagens.
Além disso, estão proibidas publicações e republicações, mesmo que de forma gratuita, bem como de impulsionamento pago de conteúdos produzidos ou alterados por IA no período compreendido entre as 72 horas que antecedem o pleito e as 24 horas depois das eleições. Deepfakes estão proibidas.
Na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro a presidente, o senador exibiu um vídeo de menos de um minuto em que a imagem e voz do pai aparecem pedindo o apoio a seu "escolhido".
A peça trazia a informação de que fora gerada por inteligência artificial, contudo, a Federação Brasil da Esperança, da qual o PT do presidente Lula faz parte, entrou com uma representação por propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial contra o PL e o candidato.
O TSE julgou o caso em 1º de setembro e decidiu, por 4 votos a 3, não punir a campanha de Flávio. A maioria entendeu que a exibição do vídeo em uma convenção partidária não configurou propaganda eleitoral antecipada. O relator, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, foi acompanhado por André Mendonça, Dias Toffoli e Antonio Carlos Ferreira.
O caso será analisado pelo TSE, que decidirá se a campanha de Flávio cometeu alguma irregularidade.
Como denunciar irregularidades?
O aplicativo Pardal, do TSE, está disponível para que qualquer pessoa denuncie anonimamente compra de votos, uso da máquina pública e propagandas irregulares.
Como funcionam as urnas eletrônicas?
Usada no país desde a década de 1990, a urna eletrônica possibilita que o Brasil tenha os resultados das eleições poucas horas depois do fim da votação. É diferente do que acontece em outros países, onde a contagem pode levar dias.
Assim que o eleitor confirma o voto na urna eletrônica, a escolha é registrada no Registro Digital do Voto, uma área da urna que armazena todos os votos de forma aleatória. É como se o eleitor estivesse colocando uma cédula de papel em uma urna de lona antiga ou jogando uma gota de água em um copo: é impossível saber quem colocou cada voto ali.
Somente às 17h, quando as eleições se encerram, a urna faz a contagem eletrônica dos votos registrados durante o dia.
Ao final, a urna imprime os resultados em pelo menos cinco cópias dos chamados boletins de urna.
Um dos boletins é colocado na entrada do local de votação, como, por exemplo, na porta da sala de aula em uma escola.
As outras cópias ficam com a Justiça Eleitoral e são entregues a fiscais dos partidos políticos. O eleitor também pode acessar esses boletins online, em tempo real, no aplicativo Boletim na Mão, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), baixável no celular.
Depois disso, cada urna salva os resultados em um pendrive, que é levado para um ponto seguro de transmissão.
A partir daí, os dados são enviados pela rede privada do TSE para supercomputadores em Brasília, que somam os resultados de mais de 500 mil urnas eletrônicas.
Quem pode votar?
No Brasil, o voto é obrigatório a partir dos 18 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e analfabetos. Quem está com o título cancelado, não poderá votar.
Qual a diferença entre voto branco e nulo?
Não há diferença entre voto branco e voto nulo para a contagem dos votos, ambos são excluídos da totalização dos resultados.
O eleitor vota em branco quando pressiona a tela branca da urna eletrônica e confirma. Já o voto nulo ocorre quando há erro de digitação. Se o eleitor digitar um número que não corresponda a partido ou candidato, o voto é anulado.
Prisões são proibidas no período eleitoral?
Nenhum eleitor pode ser preso entre 29 de setembro e 6 de outubro de 2026, exceto se for pego em flagrante delito ou tiver condenação por crime inafiançável.
Para candidatos, a proteção já vale desde 19 de setembro, 15 dias antes da eleição, salvo em caso de flagrante delito.
Ônibus e metrô são de graça no dia da eleição?
Todas as cidades que possuem transportes coletivos devem oferecê-los de forma gratuita no dia da votação, com a mesma frequência de um dia útil.
É proibido que candidatos ou partidos ofereçam transporte ou refeições para os eleitores em troca de votos.
Não vou consegui votar. O que fazer?
No dia da eleição é possível justificar a ausência pelo aplicativo e-Título ou indo pessoalmente a uma Mesa Receptora de Justificativa.
Depois da eleição, o eleitor tem até 3 de dezembro de 2026 (se não votou no 1º turno) e 8 de janeiro de 2027 (se não votou no 2º turno) para justificar. É possível fazer isso pela internet, pelo aplicativo e-Título ou no cartório eleitoral.
Para quem estiver no exterior, o prazo é de 30 dias contados a partir do retorno ao Brasil.
Quem não justificar receberá uma multa de R$ 3,51 por turno perdido. Se não pagar multa, a pessoa fica impedida de tirar passaporte, concorrer em concursos públicos e se matricular em universidades públicas.
Posso votar se estiver em outra cidade?
Não é mais possível pedir o voto em trânsito. O prazo terminou em 20 de agosto. Quem não fez o pedido e estiver fora do seu domicílio eleitoral no dia da votação deve justificar a ausência.
Ainda posso tirar ou transferir o título de eleitor?
Não. O prazo final para tirar ou regularizar o título de eleitor, alterar dados ou transferir local de votação foi 6 de maio de 2026. O serviço para tirar ou regularizar o título eleitoral será reaberto em todos os cartórios eleitorais após o 2º turno das Eleições 2026.










