Rede Clube FM
Fique ligado!

Temperaturas extremas e temporais avançam pelo país

Onda de calor deve elevar temperaturas acima dos 40°C em várias regiões, enquanto temporais atingem o Sul do país. Estudo estima 13,3 mil mortes no Brasil associadas aos efeitos do Super El Niño até fevereiro de 2027

Temperaturas extremas e temporais avançam pelo país
(crédito: ED ALVES/CB/D.A.Press)

Por Redação Clube FM - Brasília

- Atualizado

Via Correio Braziliense

O domingo (27/9) foi de calor intenso em boa parte do país, com temperaturas acima dos 30°C em várias capitais. Em Belo Horizonte, os termômetros chegaram a 35,6°C, a maior marca registrada na cidade em 2026. Cuiabá e Goiânia tiveram máximas de 37°C, enquanto Brasília chegou a 33°C.

Uma onda de calor deve elevar ainda mais as temperaturas nos próximos dias. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta vermelho, que indica grande perigo, para oito estados. Até quarta-feira, os termômetros podem superar os 40°C em áreas do Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste.

As maiores temperaturas são esperadas em regiões de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Piauí, Bahia, São Paulo e Minas Gerais. O calor mais intenso deve se concentrar no leste de Mato Grosso, sul do Pará, norte e noroeste de Goiás, centro e sul do Tocantins, noroeste paulista, Vale do Rio São Francisco, entre Minas Gerais e Bahia, e no Piauí.

Enquanto a onda de calor avança por diferentes regiões, municípios do Rio Grande do Sul enfrentaram temporais com granizo durante o fim de semana. Segundo a Defesa Civil estadual, cerca de 6,3 mil pessoas foram afetadas pelas ocorrências.

Em Santiago, na região central do estado, moradores registraram a queda de granizo, que cobriu ruas e terrenos em alguns pontos. Também foram filmadas pedras de grande tamanho durante a passagem da tempestade.

A Defesa Civil mantém alerta para a possibilidade de novos temporais, com granizo e ventos fortes em diferentes municípios. A instabilidade está associada a uma área de baixa pressão entre o norte da Argentina e o Paraguai, que favorece o avanço de ar quente e úmido em direção ao Rio Grande do Sul e aumenta as condições para a formação de tempestades.

Impactos do El Niño

Esse cenário de extremos climáticos ocorre em meio à influência do El Niño, que pode provocar efeitos distintos nas regiões brasileiras. Um relatório do Laboratório de Impacto Climático (Climate Impact Lab), publicado na semana passada, estima que o Brasil poderá registrar 13,3 mil mortes até fevereiro de 2027 em decorrência do fenômeno.

Os cientistas projetam que as temperaturas globais da superfície terrestre ficarão 1,2°C acima do normal nos próximos meses. No mundo, o estudo estima 451 mil mortes associadas ao calor nos primeiros nove meses do El Niño, entre junho e fevereiro, em comparação com um ano normal.

O relatório identifica as regiões onde se prevê o maior número de mortes e aponta o Brasil como o quinto país mais afetado pela perda de vidas. O estudo destaca ainda que há tempo para reduzir em dezenas de milhares o número de mortes por meio de ações direcionadas.

O professor titular da Universidade de São Paulo (USP), no Instituto de Energia e Meio Ambiente, Pedro Côrtes, afirma que as regiões Sul e parte do Sudeste estão vulneráveis ao excesso de chuvas, enquanto o Norte e o Nordeste podem enfrentar os efeitos da redução das precipitações.

A região Norte, que depende fortemente do transporte fluvial, pode ser afetada pela diminuição significativa das chuvas provocada pelo El Niño. "A navegação é um meio de transporte fundamental para muitos municípios que dependem desse tipo de transporte para receber alimentos, combustível, medicamentos ou suporte médico", destaca Côrtes.

O Centro-Oeste também não está livre dos impactos. Na região central do país e no Nordeste, os efeitos estão relacionados principalmente à ocorrência de ondas de calor.

Ao analisar a pesquisa, Pedro chama a atenção para a estimativa de 13,3 mil mortes e afirma que parte desses óbitos poderia ser evitada com a adoção de políticas de prevenção. Segundo ele, o Brasil costuma reagir de forma tardia aos grandes eventos climáticos, quando o ideal seria estar preparado para enfrentar condições extremas. "O que temos [no Brasil] é uma predominância de práticas reativas em relação aos grandes eventos, ao invés de adotarmos políticas preventivas", afirma.

Idosos e crianças

O professor destaca que crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos das ondas de calor, especialmente pela maior dificuldade em manter uma hidratação adequada. Entre os idosos, a menor percepção da sede pode fazer com que o consumo de água seja insuficiente. Já as crianças pequenas dependem da atenção dos pais e responsáveis para manter a hidratação ao longo do dia.

A vulnerabilidade é ainda maior entre crianças e idosos negros e periféricos, segundo Thaynah Gutierrez, assessora de clima e racismo ambiental do Geledés Instituto da Mulher Negra. Ela chama a atenção para as condições de moradia e infraestrutura enfrentadas por parte da população negra nas periferias, especialmente em comunidades mais vulnerabilizadas, onde o acesso à água de qualidade e ao saneamento básico ainda é precário. Para Thaynah, essas desigualdades ampliam a exposição aos impactos das altas temperaturas.

Planejamento urbano

Para enfrentar o calor extremo, especialistas defendem medidas de planejamento urbano que ampliem a presença de áreas verdes nas cidades. A arborização contribui para reduzir a temperatura, oferecer sombra e melhorar a umidade do ar, criando ambientes mais confortáveis durante os períodos de calor intenso.

A instalação de aparelhos de ar- condicionado, por outro lado, pode não ser uma solução acessível para as regiões mais vulnerabilizadas. Thaynah avalia que o país não teria capacidade energética e financeira para equipar todas as residências. "Essa não deveria ser a resposta a nível Brasil", afirma.

Na última semana, o governo federal lançou uma página na internet que reúne informações, orientações e ações de preparação e resposta aos impactos do El Niño no país. A iniciativa pretende facilitar o acesso da população a dados oficiais e dar visibilidade à atuação integrada do governo diante dos efeitos do fenômeno climático.

Para Thaynah, a plataforma representa um avanço ao concentrar informações e dados sobre os diferentes cenários de impacto do El Niño em um único espaço. Ela ressalta, contudo, que ainda há desafios para as administrações municipais, principalmente na preparação para os eventos extremos previstos para os próximos meses. Segundo a especialista, o monitoramento governamental tem dado maior atenção aos incêndios, enquanto os riscos hidrológicos e geológicos também exigem atenção, diante da possibilidade de períodos de chuvas intensas.

*Estagiária sob supervisão de Rafaela Gonçalves

Baixe o App da Clube e fique por dentro de tudo, o tempo todo.

O aplicativo de rádio mais legal da internet. Acompanhe a sua Clube em qualquer lugar!

Baixar na App StoreDisponível no Google Play
App Clube FM

Clube Maníacos

Cadastre-se e concorra diariamente ao Kit Clube Maníaco com camiseta, boné, garrafinha e caneca.

Ao se cadastrar você concorda em receber nossos e-mails com novidades, conforme a nossa política de privacidade.

CLUBE FM105.5 FM