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Por que dados de brasileiros valem cada vez menos no mercado

Megavazamentos tornaram informações pessoais abundantes; entenda como isso facilitou golpes e transformou CPFs em mercadoria barata

Por que dados de brasileiros valem cada vez menos no mercado
Nova Carteira de Identidade Nacional unifica RG e CPF, garantindo mais segurança e modernização - (crédito: Divulgação)

Por Redação Clube FM - Brasília

- Atualizado

Por Correio Braziliense

Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal desarticulou hoje uma quadrilha que vendia dados sigilosos de milhões de brasileiros na plataforma clandestina Mind-7.

A ação, que abrangeu seis estados (SP, MG, PI, PR, ES e PE), mirou um grupo que teria movimentado R$ 7 milhões desde 2021. O caso joga luz sobre um mercado que cresce na mesma proporção em que o valor individual das informações despenca: seus dados pessoais, como nome, endereço e CPF, nunca valeram tão pouco.

O motivo é a lei básica da oferta e da procura. Nos últimos anos, megavazamentos de informações expuseram os dados de praticamente toda a população brasileira. Com um volume tão grande de registros disponíveis em fóruns e sistemas ilegais, o preço por cada “pacote” de informações caiu drasticamente, tornando o acesso a esses dados algo trivial para golpistas.

Se antes era preciso conhecimento técnico para invadir sistemas, hoje basta pagar valores irrisórios para consultar bancos de dados completos. Criminosos compram acesso a plataformas que, com um simples CPF ou CNPJ, revelam um dossiê completo sobre a vítima, incluindo telefones, e-mails, endereços antigos e até vínculos familiares.

Essa abundância de informações transformou a dinâmica dos golpes. O CPF, que deveria ser um documento protegido, virou uma espécie de mercadoria barata, usada como ponto de partida para fraudes cada vez mais personalizadas e convincentes.

Como os dados baratos facilitam os golpes

A facilidade de acesso a um perfil detalhado de qualquer pessoa permite que fraudadores construam narrativas muito mais críveis. Eles não precisam mais de tentativas genéricas de phishing, como um e-mail falso de banco. Agora, o contato é direto e personalizado.

Com seus dados em mãos, um golpista pode, por exemplo:

  • Ligar se passando por um funcionário de uma loja onde você realmente comprou, citando seu endereço para confirmar uma entrega inexistente e roubar mais informações.
  • Enviar um boleto falso de uma conta de consumo, com seu nome e endereço corretos, induzindo ao pagamento.
  • Entrar em contato para oferecer um falso empréstimo pré-aprovado, usando seus dados para dar credibilidade à abordagem.

Essa nova realidade mostra que o maior risco não é mais ter um sistema invadido, mas sim ter as informações já expostas usadas de forma maliciosa. A operação no Distrito Federal é um reflexo de um problema sistêmico: enquanto os dados continuarem sendo vistos como um produto barato, os golpes seguirão se multiplicando.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.



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