Eleições 2026: Brasileiros no exterior começam a votar neste sábado
Mais de 918 mil brasileiros estão aptos a votar fora do país; Estados Unidos e Portugal concentram maior eleitorado
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Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Via Correio Braziliense
Quando as urnas ainda estiverem fechadas no Brasil, a eleição de 2026 já terá começado do outro lado do mundo. Os primeiros brasileiros a votar serão os que vivem na Nova Zelândia, onde o pleito terá início às 16h deste sábado (3/10), pelo horário de Brasília. A votação no exterior só terminará às 21h de domingo (4/10), no Canadá, completando uma jornada de mais de 29 horas entre o primeiro e o último voto fora do país.
Em território brasileiro, as urnas funcionarão das 8h às 17h de domingo. No exterior, porém, a diferença entre os fusos horários espalha a votação por quase um dia e meio.
Neste primeiro turno, 918,9 mil eleitores estão registrados e aptos a votar fora do Brasil, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2022, eram 697,1 mil.
Apesar do crescimento, esse grupo ainda representa uma parcela pequena do eleitorado nacional: 0,58% dos 158,7 milhões de brasileiros habilitados a votar. Fora do país, entretanto, os títulos estão bastante concentrados em alguns destinos. Poucas cidades reúnem quase metade dos eleitores brasileiros no exterior.
Lisboa lidera entre as cidades
Nenhuma cidade fora do Brasil reúne mais eleitores brasileiros do que Lisboa. A capital portuguesa passou de 45,3 mil pessoas aptas a votar em 2022 para 78.833 neste ano, alta de 74,1%.
O avanço acompanha a presença expressiva de brasileiros em Portugal. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) português apontam que eles formam o maior grupo entre os imigrantes regulares do país. Até o fim de 2025, eram pelo menos 574.195.
Quando a comparação é feita por país, no entanto, os Estados Unidos permanecem na liderança. O número de eleitores brasileiros cadastrados em território norte-americano subiu de 182.986, em 2022, para 265.437 em 2026.
As dez cidades com os maiores eleitorados brasileiros fora do país são:
- Lisboa, Portugal: 78.833 eleitores, alta de 74,1% em relação a 2022;
- Boston, Estados Unidos: 53.406, alta de 43,7%;
- Porto, Portugal: 47.676, alta de 58,4%;
- Nagóia, Japão: 44.570, alta de 25%;
- Miami, Estados Unidos: 40.104, queda de 0,21%;
- Nova York, Estados Unidos: 39.026, alta de 39,7%;
- Londres, Inglaterra: 37.564, alta de 8,9%;
- Tóquio, Japão: 30.062, alta de 4,6%;
- Paris, França: 27.062, alta de 19,6%;
- Orlando, Estados Unidos: 26.411 eleitores.
Estados Unidos e Portugal dominam a relação, mas o Japão também tem presença expressiva. Além de Nagóia e Tóquio, Hamamatsu aparece na 25ª posição, com 13,7 mil eleitores. Juntas, as três cidades somam quase 89 mil brasileiros aptos a votar.
Os dez maiores locais de votação concentram 424.714 eleitores, equivalentes a 46,2% de todo o contingente registrado fora do Brasil. Quando considerados os 20 maiores, a proporção chega a 66,7%. Ao todo, a Justiça Eleitoral registra brasileiros aptos a votar em 186 localidades no exterior.
Estados Unidos concentram quase 29%
Quando os dados são agrupados por país, dez destinos respondem por 82% do eleitorado brasileiro no exterior.
- Estados Unidos: 265,4 mil eleitores, ou 28,89% do total;
- Portugal: 134,7 mil, ou 14,67%;
- Japão: 88,4 mil, ou 9,62%;
- Canadá: 46,5 mil, ou 5,06%;
- Alemanha: 41,5 mil, ou 4,52%;
- Espanha: 40,8 mil, ou 4,44%;
- Itália: 38,8 mil, ou 4,23%;
- Reino Unido: 37,6 mil, ou 4,09%;
- França: 29,7 mil, ou 3,24%;
- Suíça: 27 mil, ou 2,94%.
O aumento do número de títulos transferidos para outros países não significa, necessariamente, que a população brasileira no exterior tenha crescido na mesma proporção. O avanço também pode estar relacionado a novos alistamentos, mudanças de domicílio eleitoral e atualizações cadastrais.
Dezenas de milhares de votos em algumas cidades; apenas um em outras
Se Lisboa, Boston e Porto concentram dezenas de milhares de eleitores, o cenário é completamente diferente em alguns postos de votação.
Dacca, em Bangladesh, Cobija, na Bolívia, Santa Elena de Uairen, na Venezuela, e Pyongyang, na Coreia do Norte, aparecem nos registros do TSE com apenas um eleitor brasileiro cada. Saint Johns também tem um único título registrado.
Brazzaville, no Congo, tem dois eleitores. Abuja, na Nigéria, e Adis Beba, na Etiópia, têm três cada.
Com cinco eleitores aparecem Conacri, na Guiné; Baku, no Azerbaijão; Malabo, na Guiné Equatorial; e Bamako, no Mali. Uagadugu, em Burkina Faso, Lilongue, no Malauí, e Yangon, em Myanmar, contam com seis cada.
Harare, no Zimbábue, Lome, no Togo, e Castries, em Santa Lúcia, registram sete eleitores. Cotonou, no Benim, e Puerto Quijarro, na Bolívia, têm oito. Tirana, na Albânia, aparece com nove.
Gaborone, em Botsuana, Bagdá, no Iraque, e St. Georges de Loyapock, na Guiana Francesa, fecham esse grupo, com dez eleitores brasileiros em cada localidade.
Mulheres continuam maioria
O eleitorado brasileiro no exterior também apresenta um perfil diferente do conjunto nacional, com maior escolaridade, maior presença de pessoas solteiras e menor utilização de biometria.
As mulheres permanecem maioria entre os brasileiros cadastrados para votar fora do país. O grupo passou de 408.055 eleitoras em 2022 para 527.734 neste ano, crescimento de 29,3%.
Entre os homens, a expansão proporcional foi maior. O número subiu de 289.023 para 391.142 no mesmo período, avanço de 35,3%.
Assim, enquanto a maior parte do Brasil terá nove horas para comparecer às urnas no domingo, o mapa eleitoral brasileiro já estará em movimento desde a tarde de sábado e continuará aberto por horas depois do encerramento da votação em território nacional.










