

Influenciador protocolou carta no Ministério Público e defende canal exclusivo, 24h e anônimo, para denúncias de maus-tratos a animais
Por Maria Dulce Miranda - Estado de Minas
O influenciador digital Felca protocolou no Ministério Público uma carta aberta pedindo providências no caso do cachorro Orelha e defendendo a criação de um canal específico de denúncias para maus-tratos a animais. O documento foi enviado após a mobilização que ganhou força nas redes sociais na última semana. O youtuber divulgou o texto em seu perfil nas redes sociais na madrugada desta quinta-feira (19/2).
Orelha, cão comunitário conhecido por frequentadores da Praia Brava, em Florianópolis (SC), foi morto no início de janeiro, depois de ter sido gravemente agredido. De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, um adolescente foi apontado como responsável pela morte. A repercussão nacional do caso provocou indignação e reacendeu o debate sobre impunidade em crimes contra animais.
Na carta, Felca afirma que o episódio “revelou, de forma incontornável, a vulnerabilidade daqueles que dependem exclusivamente da nossa capacidade de reconhecer sua existência, sua dor e seu direito à proteção”. Segundo ele, mais de 760 mil pessoas já aderiram ao abaixo-assinado que pede a criação de um Disque-Denúncia específico para maus-tratos aos animais, com funcionamento 24 horas e garantia de anonimato.
“Insistamos no assunto”, escreveu o influenciador ao defender que a comoção não seja passageira. Ele argumenta que, apesar da viralização do caso, os responsáveis ainda não foram punidos, o que reforça a necessidade de mecanismos mais eficientes de responsabilização.
A campanha foi lançada pelo influenciador na semana passada, quando Felca publicou um vídeo em seu Instagram comentando o caso. Conhecido por ter denunciado a adultização de menores por influenciadores digitais, como no episódio envolvendo Hytalo Santos, o youtuber criticou a reação de parte do público que considerou excessiva a repercussão do caso. “É um caso chocante, e é bom que choque. É sinal de que ainda somos humanos”, afirmou.
A principal proposta defendida por Felca é a implementação de um canal telefônico exclusivo para denúncias de maus-tratos, em âmbito estadual ou com integração entre os entes federativos. Segundo ele, o modelo poderia seguir exemplos adotados em países como a Alemanha, onde há sistemas mais estruturados para recebimento e triagem de denúncias.
Atualmente, destaca o influenciador, quem presencia maus-tratos no Brasil precisa acionar a polícia, registrar boletim de ocorrência e, muitas vezes, recorrer à exposição nas redes sociais para que o caso ganhe atenção. O novo canal centralizaria as informações, realizaria triagem inicial e encaminharia a ocorrência para os órgãos competentes — polícia, fiscalização veterinária ou serviços municipais — inclusive com possibilidade de atuação preventiva.Na carta protocolada, Felca sustenta que a adesão à petição demonstra que a sociedade exige mudanças estruturais. “Que a proteção deixe de ser exceção e resultado do acaso, e se torne consequência de uma estrutura capaz de responder com rapidez, seriedade e alcance”, escreveu.
“Orelha permanece como lembrança de responsabilidade. E essa memória continua a afirmar que aqueles que só esperam cuidado e amor não podem continuar dependendo do silêncio e da sorte para sobreviver. Continuaremos lutando para que a impunidade não impere”, finalizou.

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito sobre a morte do cão comunitário Orelha e a tentativa de afogamento do cachorro Caramelo, ocorridas na Praia Brava, em Florianópolis.Reprodução/Redes sociais

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