

Ferramentas já são utilizadas por estudantes para pesquisas e tarefas, mas especialistas apontam para a preservação do pensamento crítico
Por Redação*
O levantamento realizado pela Opera com mais de 2,4 mil estudantes brasileiros mostra que a inteligência artificial já faz parte da rotina de estudantes, enquanto ainda há pouca orientação institucional sobre seu uso
Segundo a pesquisa, 71% dos entrevistados afirmaram que a IA ajuda na compreensão dos conteúdos ou que seu impacto depende da forma como é utilizada. Apenas 5% receberam orientação formal sobre o uso da ferramenta, enquanto 40% disseram nunca ter recebido qualquer orientação.
A situação resume o principal dilema da educação diante da IA: a ferramenta deve ser usada para entregar respostas ou para ajudar o aluno a construir conhecimento?
Para os estudantes, uma das principais vantagens da inteligência artificial é a possibilidade de obter explicações personalizadas. Uma dúvida pode ser reformulada várias vezes até que o aluno encontre uma explicação adequada ao seu nível de compreensão. A ferramenta também pode ajudar na revisão de conteúdos, na organização dos estudos e na identificação de pontos que precisam ser retomados.
“Quando bem orientada, ela pode ajudar o estudante a desenvolver autonomia, revisar conteúdos e identificar lacunas de compreensão”, afirma Juliana Psaros, diretora regional da Opera no Brasil.
O potencial, entretanto, depende do papel que a IA ocupa no processo. Se for utilizada como uma ferramenta de apoio, pode ampliar as possibilidades de aprendizagem. Se substituir o esforço intelectual do estudante, pode produzir uma ilusão de aprendizado: o trabalho está pronto, mas o conhecimento não necessariamente foi construído.
A professora Mônica Garbin, pedagoga e doutora em Educação pela Unicamp, chama atenção justamente para essa diferença. Segundo ela, utilizar a IA para esclarecer uma dúvida depois da leitura de um texto pode contribuir para a aprendizagem. O problema aparece quando a ferramenta recebe tarefas que deveriam desenvolver “a própria capacidade de leitura, escrita e reflexão”.
UNESCO: aluno precisa compreender, aplicar e criar
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, desenvolveu um marco de competências em IA para estudantes que propõe 12 competências distribuídas em quatro áreas: mentalidade centrada no ser humano, ética da IA, técnicas e aplicações e desenvolvimento de sistemas de IA.
O modelo estabelece três níveis de desenvolvimento: compreender, aplicar e criar.
A ideia é que o estudante não seja apenas um consumidor de respostas produzidas por algoritmos. Ele deve aprender a avaliar criticamente as soluções de IA, compreender seus impactos e, futuramente, participar da criação de novas tecnologias.
Supervisionado por Bárbara Bernades*

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