

Cientistas identificam no sangue vestígios mensuráveis de processos biológicos, que abrem uma janela de oportunidade para diagnóstico precoce e começo do tratamento
Por Correio Braziliense
Cientistas da Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia, e do Hospital Universitário de Oslo, na Noruega, identificaram biomarcadores da doença de Parkinson nos estágios iniciais, antes dos danos cerebrais extensos causados pela condição. Segundo a pesquisa publicada ontem na revista npj Parkinson’s Disease, os processos biológicos deixam vestígios mensuráveis no sangue, mas apenas por um período limitado. Para os pesquisadores, a descoberta revela uma janela de oportunidade que pode ser essencial para o tratamento no futuro, e sobretudo para o diagnóstico precoce por meio de exames de sangue, que poderão começar a ser testados dentro de cinco anos.
Para o estudo, os pesquisadores se concentraram em dois processos que acreditam estar envolvidos na fase inicial da doença, que pode durar até 20 anos em pacientes com Parkinson antes que os sintomas motores se desenvolvam completamente. Umas dessas atividades é o reparo de danos ao DNA, o sistema intrínseco das células para detectar e corrigir danos. A segunda é a resposta ao estresse celular, uma reação de sobrevivência ativada por ameaças, na qual essas estruturas priorizam o reparo e a proteção, interrompendo funções normais.
Os pesquisadores utilizaram aprendizado de máquina e outras técnicas para descobrir um padrão de atividades genéticas distintas ligadas ao reparo de danos ao DNA e à resposta ao estresse em pacientes na fase inicial da doença de Parkinson. Esse padrão não foi encontrado em indivíduos saudáveis nem em pessoas diagnosticadas que já apresentavam sintomas.
“Isso significa que encontramos uma importante janela de oportunidade na qual a doença pode ser detectada antes que os sintomas motores causados por danos nos nervos do cérebro apareçam. O fato de esses padrões só se manifestarem em um estágio inicial e não serem mais ativados quando a doença já está mais avançada também torna interessante focar nos mecanismos para encontrar tratamentos futuros”, afirma Annikka Polster, professora assistente da Universidade Chalmers, que liderou o estudo.
Mais acesso
Conforme o trabalho, diversos outros indicadores biológicos do estágio inicial da doença têm sido avaliados, incluindo exames de imagem cerebral ou análises do líquido cefalorraquidiano. No entanto, testes validados adequados para triagem em larga escala, capazes de detectar a doença antes do aparecimento dos sintomas, ainda não estão disponíveis.
“Em nosso estudo, destacamos biomarcadores que provavelmente refletem alguns dos estágios iniciais da biologia da doença e mostramos que eles podem ser medidos no sangue. Isso abre caminho para testes de triagem abrangentes por meio de amostras de sangue: um método econômico e de fácil acesso”, afirma Polster.
Na próxima etapa, os pesquisadores pretendem entender exatamente como funcionam os mecanismos ativados no estágio inicial da doença e desenvolver ferramentas para facilitar ainda mais a sua detecção. Em cinco anos, a equipe de pesquisa acredita que exames de sangue para o diagnóstico precoce da doença de Parkinson poderão começar a ser testados.

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